A Rede

Um blog sobre as redes da vida e a vida das redes, por Dalberto Adulis

Archive for the ‘Inclusão Digital’ Category

Mais lenha na polêmica em torno do Laptop de 100 dólares

Posted by dalberto em 6 maio, 2007

Nos últimos temos temos visto alguma discussão sobre o projeto “One Laptop per Children”, promovido pelo MediaLab do MIT a partir dos esforços de Nicholas Negroponte. O projeto, que atualmente é gerenciado por uma Fundação responsável pela sua disseminação, prevê a doação de Laptops para crianças das escolas como uma “estratégia” para diminuir a exclusão digital e melhorar o desempenho da educação. No Brasil o projeto ficou conhecido como o “Lapto de 100 dólares” e o governo já adquiriu alguns laptops ao custo de 140 dólares.

Os aparelhos já estão sendo utilizados em “testes” que provavelmente antecedrão a compra mais de 5 milhões de laptops. Ao custo de quase 1 bilhão de dólares esses equipamentos permitiriam equipar uma parcela das crianças não se sabe por quanto tempo (até que os quebrem e não tenham como ser consertados, sejam roubados por uma criança que não o tenha), para quê (qual o propósito e projeto pedagógico associado ao uso do equipamento?) nem se teremos condições para que os mesmos possam ser utilizados (os professores terão acesso a equipamentos similares ? Serão capacitados para utilizá-los ? Estarão conectados à Internet ?).

lappAo que parece estas questões não são grande objeto de preocupação por parte de gestores dispostos agastar 1 bilhão de dólares em equipamentos…

Quem sabe artigos como o publicado no New York Times e apresentado a seguir, não contribuia para evitar um grande desperdício de recursos.

Outros posts sobre o assunto

Laptop de 100 dólares…para quê?

Laptop de 100 dólares

OLPC

São Paulo, domingo, 06 de maio de 2007 – Folha de São Paulo – Cotidiano

Escolas questionam eficácia de laptops

Entidades de ensino norte-americanas desistem de programas que implementam uso de computadores em sala de aula

Sem benefícios pedagógicos comprovados e com custo alto, uso de informática é freado por instituições

WINNIE HU
DO “NEW YORK TIMES”, EM LIVERPOOL

Os estudantes da Liverpool High, uma escola de segundo grau no interior do Estado de Nova York, usaram os laptops fornecidos a eles pela escola para divulgar gabaritos de provas, baixar pornografia e invadir computadores de empresas.
Quando os dirigentes escolares adotaram medidas de segurança mais rígidas para a rede do colégio, um aluno da 10ª série não só encontrou maneira de superar essas barreiras como também postou instruções na Web explicando aos colegas como fazer a mesma coisa.
Dezenas dos laptops arrendados pelos alunos quebram a cada mês, e de dois em dois dias, nos períodos reservados a estudo assistido por professores, a rede da Liverpool High termina caindo, devido ao alto número de alunos que preferem navegar pela internet a dirimir suas dúvidas escolares.
Assim, o distrito escolar de Liverpool, uma cidade localizada perto de Syracuse, decidiu que, a partir do quarto trimestre, os laptops devem ser devolvidos, o que aumenta o número de escolas em todo o país que adotaram programas de computação individual e, mais tarde, optaram por cancelá-los, por terem sido considerados inúteis ou, pior, nocivos.
O objetivo de muitas dessas escolas era remover a disparidade digital entre os alunos que tinham e os que não tinham computadores em casa.
“Depois de sete anos, não há literalmente prova alguma de impacto positivo sobre as realizações acadêmicas dos estudantes”, disse Mark Lawson, presidente do conselho de educação de Liverpool -um dos primeiros distritos do Estado de Nova York a testar o sistema de oferecer aos alunos contato direto com a tecnologia.
“Os professores nos informaram que quando os alunos desenvolvem forte vínculo com seu laptop, o computador passa a representar uma distração no processo educacional”, disse.
A postura adotada em Liverpool surge no momento em que mais e mais distritos escolares em todo o país optam por levar laptops às suas salas de aula.
Um estudo conduzido por duas consultorias educacionais nos 2.500 maiores distritos escolares norte-americanos, no ano passado, mostrou que um quarto dos respondentes já havia adotado um computador por aluno, e que metade do grupo esperava fazê-lo até 2011.
Na cidade de Nova York, cerca de seis mil alunos de quinta a oitava série receberam laptops em 2005 como parte de um programa trienal de US$ 45 milhões, financiado com verba municipal, estadual e federal.
No entanto, funcionários de diversas escolas afirmam que os estudantes cometeram abusos usando seus laptops, e que as máquinas não se enquadram nos planos de aula e demonstram pouco ou nenhum efeito mensurável, sobre as notas e exames.
Há distritos que abandonaram seus programas de distribuição de laptops devido à resistência de parte dos professores, problemas técnicos e logísticos e custos elevados de manutenção.
Esse tipo de decepção é só o mais recente exemplo de como a tecnologia, muitas vezes alardeada por filantropos e líderes políticos como meio de solucionar problemas de forma instantânea, deixa os professores perplexos quanto ao que fazer para integrar os novos aparelhos aos seus currículos.
No mês passado, o Departamento da Educação norte-americano publicou um estudo que demonstrava não haver diferença em termos de realizações acadêmicas entre alunos que usam software educacional para aprender matemática e desenvolver a capacidade de leitura e alunos que não utilizam esse recurso.
Por outro lado, muitos dirigentes escolares e professores dizem que o uso de laptops motivou até os mais relutantes dos alunos a aprender, resultando em freqüência mais elevada, índices menores de punições e abandono de estudos.
Em um dos maiores estudos em curso, o Centro de Pesquisa Educacional do Texas, até agora não constatou diferença nos resultados de testes estaduais entre 21 escolas de quinta a oitava série, nas quais os alunos receberam laptops, e 21 que não receberam. Mas alguns dados sugerem que os estudantes mais aptos podem se sair melhor em matemática quando equipados com laptops.


tradução de PAULO MIGLIACCI

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O lado “sujo” das tecnologias

Posted by dalberto em 9 abril, 2007

O Greenpeace continua desenvolvendo um trabalho interessante de avaliação das condições de produção e práticas de empresas de tecnologia que produzem PCs e aparelhos de comunicação móvel.

O levantamento realizado pelo Greenpeace leva em consideração diversos fatores, como o uso de substâncias altamente tóxicas (ex: medrcúrio e chumbo), a adoção de práticas de reciclagem assim como o destino que é dado ao lixo eletrônico representado por milhões de produtos descartados a cada ano.

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Os resultados podem surpreender, já que como pode-se ver no gráfico abaixo, a empresa “mais verde” é a Lenovo, uma empresa chinesa em um dos países que mais “importam” lixo eletrônico no mundo, ao passo que a mais poluidora, ao contrário do que se poderia imaginar, a Apple, que produz o Machintosh e os iPODs. Segundo a metodologia do Greenpeace a empresa está na “lanterninha” pelo segundo ano consecutivo e não adotou práticas mais “verdes” para transformar esta realidade. O relatório na íntegra pode ser baixado neste link.

graus

Acao AppleO descuidado com o descarte dos produtos no caso da Apple é tão grande que o Greenpeace criou uma campanha para “limpar a Apple”, como pode-se ver neste website.

A figura e o texto a seguir são apenas uma das peças da campanha da ONG.

Apple’s releasing more than new products these days, they’re also releasing tons of toxic chemicals.

That’s because under their skin, apples are full of toxic chemicals. When they get tossed, they can end up at the fingertips of children in developing world countries, who dismantle them for parts.

Take Action!

Tell Steve Jobs that you want a green apple.

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A dificil adoção de novas tecnologias

Posted by dalberto em 16 março, 2007

Muitas vezes é difícil convencer as pessoas sobre a uitilidade de certas tecnologias, mas nada se compara ao esforço necessário para capacitá-las e oferecer suporte.

Este vídeo sueco (?) divertido mostra como isso pode acontecer até com “ferramentas” simples, como um livro. Pode ser um bom recurso para se pensar no papel de cada um de nós diante das inovações.

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Nós e a rede na WEB2.0

Posted by dalberto em 1 março, 2007

Nos últimos três anos encontramos, cada vez mais, serviços e recursos da denominada WEB2.0 na Internet. Este vídeo criativo, produzido por Michael Wesch, professor de antropologia cultural da Universidade do Kansas, explica e ilustra, ao mesmo tempo, as principais tendências da chamada WEB 2.0 e como o uso de algumas de suas ferramentas jã afetam o modo como utilizamos e criamos a própria rede.

Na wikipedia o termo WEB2.0 é descrito como “a segunda geração de serviços e aplicativos da Web e aos recursos, tecnologias e conceitos que permitem um maior grau de interatividade e colaboração na utilização da Internet. As aplicações desta geração disponibilizam interfaces tão dinâmicas quanto as existentes nas tradicionais aplicações desenvolvidas para desktops, em contraposição com as páginas praticamente estáticas da primeira geração de aplicações para Web, a “Web 1.0″.”

Entre os principais conceitos, recursos e ferramentas ilustrados no vídeo estão o Hipertexto, XML, Tags, RSS, Blogs, Youtube, Flickr Maps, Del.icio.us e WIKIs. No final do vídeo destaca-se s idéia de que:

“Web 2 é ligar pessoas …pessoas compartilhando, trocando e colaborando”

assim como a necessidade de repensarmos as noçõe de copryright, indentidade, ética, estética, retórica, governança, privacidade e comércio, além de nós mesmos.

Logo abaixo há uma lista de serviços da WEB2.0 que podem ser utilizados gratuitamente:

Desktop Virtual e Agregadores de RSS:

Escritório e Produtividade:

Social Web:

Fotos:

Música:

Podcasts:

Bookmarking:

Armazenamento:

Comunicação:

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Linux nos telefones e por ai a fora

Posted by dalberto em 15 fevereiro, 2007

As fabricantes de celulares trocam sistemas proprietarios como os do Windos por livres, como o Linux, para reduzir custos, aumentar a segurança e dispor de maior autonomia na configuração e evolução de seus sistemas.

Esta deve ser a tendência na escolha dos softwares que serão utilizados em telefones e muitos outros dispositivos eletrônicos na era da convergência tecnológica.

15/02/2007 – 11h44 – UOL Tecnologia
Linux acelerará novos serviços em celulares de preço baixo

BARCELONA (Reuters) – O sistema operacional livre Linux ajudará Motorola, Samsung, Panasonic e NEC a produzirem celulares avançados que poderão ser vendidos por menos de 125 dólares, e permitirão lançamento acelerado de novos serviços.

“Acreditamos que será possível levar o Linux aos celulares com preço médio de venda de 125 dólares, e que os aparelhos ainda assim teriam ótima qualidade. Dentro de cinco anos, quando obtivermos sucesso, mais de metade dos celulares da Motorola usarão o Linux”, disse Greg Besio, vice-presidente de software para aparelhos móveis da Motorola .

Motorola, Samsung e Panasonic (parte do grupo Matsushita ) se aliaram às operadoras de telefonia móvel Vodafone e NTT DoCoMo, no ano passado, para desenvolver softwares baseados no Linux com o objetivo de usá-los em celulares.

Juntas, essas empresas fabricam mais de 95 por cento dos celulares acionados por Linux.

Por um lado, a colaboração representa um esforço para economizar na aquisição de software usado em celulares multimídia, como o Symbian Series 60 ou o Windows Mobile, da Microsoft .

“O custo do Symbian e do Windows Mobile não é insignificante, e só se pode usá-los nos aparelhos mais caros”, disse Besio em entrevista na feira 3GSM, de comunicação sem fio. A maior parte dos celulares que operam com software Symbian e Windows Mobile hoje em dia tem preço superior a 200 dólares.

“Mas a principal razão é estratégica. Queremos a capacidade de direcionar e sustentar a inovação por nossa conta”, disse Besio, que também expressou dúvidas de que a Nokia, que controla o Series 60 porque é proprietária da Symbian, ajudaria a Motorola, sua maior rival, a desenvolver produtos melhores.

As quatro fabricantes somadas vendem centenas de milhões de celulares a cada ano, o bastante para sustentar um novo sistema operacional como o Linux. Elas serão capazes de incluir inovações em um aparelho em uma fração do tempo que levariam para conseguir aprovação a mudanças em outros sistemas de software.

“Será como o Google . Quando eles têm um serviço novo, o experimentam em seus servidores e a seguir o oferecem aos usuários em forma de um link em sua página inicial. Da mesma forma, quando nossos usuários acordarem vão encontrar em seus celulares uma mensagem da operadora de telefonia móvel oferecendo um novo serviço para que experimentem”, disse Besio.

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Poder, governança e vigilância na Internet

Posted by dalberto em 22 dezembro, 2006

privacy.jpgUm excelente artigo sobre disputas de poder, monpoólio, vigilância e governança na Internet, apresentado por Sergio Amadeu no congresso da Intercom, em setembro de 2006.


Hackers, monopólios e instituições panópticas

Por Sergio Amadeu da Silveira

Introdução: Velhos Direitos, Novas Violações e a Ambigüidade das Redes.

A comunicação mediada por computador e a digitalização intensa de grande parte dos conteúdos de expressão – textos, sons ou imagens — ampliaram as possibilidades das grandes organizações – Estados, companhias transnacionais e redes criminosas – de observar e rastrear o comportamento e o cotidiano dos cidadãos. A comprovação empírica dessa afirmação pode ser encontrada exatamente nos Estados Unidos, um dos países com grande tradição na defesa da privacidade e, ao mesmo tempo, a nação com o maior número de computadores e internautas. Em dezembro de 2005, o jornal The New York Times divulgou que presidente George W. Bush teria autorizado o NSA (National Secutity Agency) a realizar milhares de escutas telefônicas e scaneamento de e-mails sem a prévia autorização judicial. O governo alega que a Lei USA Patriot, aprovada no fim de 2001, permite a espionagem de pessoas sem consulta ao Judiciário, pois isto seria indispensável para um combate ágil e eficaz ao terrorismo.

No mês de maio de 2006, o site de buscas Google, recusou-se a entregar ao Departamento de Justiça norte-americano uma lista contendo palavras e sites pesquisados por todos usuários durante uma determinada semana. O governo já vinha utilizando as bibliotecas para captar informações sobre o que as pessoas consultam. A Lei USA Patriot permite tais ações de rastreamento. É notável que antes mesmo dos ataques de 11 de setembro, o FBI (polícia federal norte-americana) já scaneava e-mails que transitavam pelos backbones (redes de alta velocidade) e seus roteadores instalados nos Estados Unidos. Esta prática de vigilância ocorria a partir de um sistema chamado Carnivore que permitia ler todos os e-mails e copiar aqueles que continham determinadas frases e palavras-chaves. É importante ressaltar que mesmo denunciado no parlamento por organizações da sociedade civil, tais como a EFF (Eletronic Frontier Foundation) e EPIC (Eletronic Privacy Information Center), o Carnivore violou e-mails de cidadãos americanos e também de estrangeiros. Todas as mensagens “supeitas” que tiveram o território norte-americano como rota de passagem foram violadas.

Talvez muito mais do que os Estados, algumas poucas corporações estão buscando legitimar a alteração no imaginário social sobre o espaço da privacidade em um mundo inseguro. Empresas que controlam algoritmos embarcados nos códigos de programação computacional, amplamente empregados como intermediários da comunicação contemporânea, tais como sistemas operacionais, estão realizando intrusões em computadores pessoais sem que nenhuma reação revoltosa seja noticiada. A tecnologia DRM (Digital Rights Management) usada para tentar impedir o uso não autorizado, denominado “pirata”, de softwares, games, vídeos, filmes e músicas, está permitindo que em nome da defesa do copyright seja destruído o direito a intimidade e a privacidade.

Além disso, o caráter transnacional da rede de comunicação mediada por computador, coloca o problema sobre a definição das regras básicas de operação da rede que são definidas por protocolos de comunicação, padrões e pela estrutura dos nomes de domínios. Emerge a questão da governança da Internet que envolve a disputa entre cinco grandes interesses não necessariamente contrapostos: dos comitês técnicos que definiram até agora os protocolos da Internet; dos Estados nacionais; das corporações de Tecnologia de Informação; da sociedade civil mundial e das várias comunidades hacker; e o interesse do Estado norte-americano. Uma série de decisões aparentemente técnicas que afetarão a privacidade e o anonimato dos internautas estão sendo debatidas e poderão ser adotadas sem que os cidadãos do planeta, que utilizam a Internet, tenham a mínima possibilidade de debatê-las ou mesmo de recusá-las. Se for definido que o protocolo de comunicação básico entre as milhares de redes deverá ter como o padrão o fim do anonimato na comunicação, isto afetará completamente a forma como conhecemos a Internet hoje.

Estes exemplos reforçam a necessidade de observarmos mais atentamente a relação entre comunicação, tecnologia e mudança social. Também indicam que a comunicação mediada por computador, por seu caráter transnacional, afeta cidadania e exige a reconfiguração dos direitos para uma vida coletiva no ciberespaço. Sem dúvida, a rede mundial de computadores tem servido às forças democratizantes para compartilhar não somente mensagens e bens simbólicos, mas também conhecimentos tecnológicos que estão gerando as possibilidades distributivas de riqueza e poder extremamente promissoras. Exatamente nesse contexto, que um conjunto de mega-corporações atuam para manter e ampliar em uma sociedade informacional os poderes que detinham no capitalismo industrial. Para tanto, precisam conter a hiper-comunicação pública e torná-la comunicação privadamente controlada, substituindo a idéia de uma cultura livre pela cultura da submissão ou do licenciamento.

Algumas Considerações Sobre a Noção de Cidadania.

John Perry Barlow, um dos fundadores da Eletronic Frontier Foundation, escreveu a A declaration of the Independence of Cyberspace, em fevereiro de 1996, como reação ao Ato de Decência nas Comunicações, uma lei que visava o controle de conteúdos na Internet, proposta pela administração do presidente norte-americano Bill Clinton. Barlow foi enfático: “Governments of the Industrial World, you weary giants of flesh and steel, I come from Cyberspace, the new home of Mind. On behalf of the future, I ask you of the past to leave us alone.” Apesar do seu apelo, dez anos depois é preciso constatar que ele não foi atendido, nem pelos Estados nacionais, nem pelas mega corporações. Isto porque o ciberespaço não existe descolado do mundo material. A Internet depende da infra-estrutura lógica e física que está sobre o comando de pessoas e empresas que habitam os territórios controlados pelos velhos gigantes estatais, os Leviatãs.

Sem dúvida alguma, a Internet representa uma mudança de paradigma das comunicações e é vista por uma série de teóricos como a maior expressão da chamada revolução das tecnologias da informação (CASTELLS). A supremacia da comunicação baseada na difusão, a partir de um ponto, está sendo substituída pela comunicação em rede. A Internet assegura a possibilidade de qualquer cidadão disputar a atenção da rede para seus sites, blogs ou mensagens. A net é um meio técnico com características intrínsecas que permitem a democratização da criação de conteúdos. Considerando ainda que a Internet é uma rede transnacional baseada no fluxo de dados, que transitam sobre um mesmo conjunto de protocolos e regras de codificação e decodificação de códigos, fica evidente que os Estados nacionais não teriam o controle total do fluxo de conteúdos, como ocorre no caso da TV e do rádio. O fluxo da Internet pode originar-se fora do território nacional. A lei nacional tem enorme dificuldade de ser executada se um provedor de conteúdo que hospeda um site de pedofilia encontrar-se hospedado em um país distante.

Todavia, existem possibilidades de controle de conteúdos e de aplicações que são realizadas por meio da própria tecnologia. É preciso relativizar a idéia de que os Estados não possuem formas de bloquear e até mesmo controlar determinados fluxos da Internet. O governo autoritário da China filtra conteúdos e impede o acesso a determinados sites porque controla os dois backbones por onde transitam todos os dados que entram e saem do país. Desconhecer estas possibilidades de controle significa abandonar a jornada da humanidade na luta pela legitimação do direito à livre comunicação como um dos direitos fundamentais do homem e do cidadão. É olhar somente para as promessas democratizantes da comunicação mediada por computador e esquecer de sua face panóptica. É desconsiderar a gravidade do fato do Google organizar buscas censuradas para poder ter acesso ao mercado chinês, prática já realizada pelo Yahoo e MSN.

Donna Haraway, em sua brilhante reflexão feminista, qualificou o momento em que vivemos como a “transição das velhas e confortáveis dominações hierárquicas para as novas e assutadoras redes (…) de ‘informática de dominação’”. (HARAWAY, p.65) As redes possuem uma linguagem comum entre as máquinas e estas são intermediários indispensáveis para as linguagens naturais humanas, em um ambiente de comunicação via máquinas de processar dados. O jurista Lawrence Lessig já havia alertado, no final dos anos 1990, que no ciberespaço o código tem o mesmo papel de uma legislação. (LESSIG). Exatamente pelos intermediários tecnológicos que Estados autoritários e neo-autoritários (falo dos Estados Unidos), bem como gigantescas empresas imperiais do capitalismo informacional tentam controlar os cidadãos.

Weissberg denunciou a contradição existente entre o desejo de uma comunicação cada vez mais transparente e desintermediada, a partir do dinamismo e do potencial interativo da Internet, e a realidade de sua operação. Por isso, afirmou que “o objetivo de supressão dos intermediários se transforma, conforme seu próprio movimento, em criação de uma nova camada de mecanismos mediadores que automatizam a mediação.”(p.123) Mas como fica a noção de cidadão em um mundo cada vez mais transnacionalizado e com a comunicação mediada por padrões e códigos (softwares) que são apresentados por instâncias definidas como técnicas e distantes dos mecanismos de controle democrático?

Aqui é necessário enfrentar pelo menos duas questões: primeiro, a da evolução da cidadania; segundo, a questão do papel da comunicação e da tecnologia para a mudança ou permanência das relações sociais.

Segundo vários autores, podemos definir “cidadania” como o direito a ter direitos. T. H. Marshall observando a evolução do conceito na Inglaterra, defendeu existir direitos de primeira e segunda geração. Para Marshall, primeiro teriam surgido os direitos civis e depois os políticos (séculos XVIII e XIX). Uma segunda geração de direitos surgiram no século XX e conformariam os chamados direitos sociais. Apesar de acusada de etnocêntrica e linear, a proposição de Marshall passou a ser referência para a observação da mutabilidade histórica da cidadania. Nesse sentido, alguns teóricos observaram o surgimento na segunda metade do século XX dos direitos de terceira geração, ou seja, direitos de grupos, de minorias e etnias, direitos difusos que ganham força em todo o mundo. Questões como o direito ao meio ambiente, o feminismo e a defesa do consumidor, são incorporados em várias legislações e discursos políticos. (LISZT)

A comunicação transnacional mediada por computador coloca a necessidade de reivindicar novos direitos? Como reivindicar novos direitos em um ambiente transnacional? Mas não seria um exagero exigir deliberação democrática e debate público sobre as funcionalidades de sistemas, códigos e protocolos considerados técnicos pelas indústrias de TI e pelo senso comum?

Vamos verificar um caso concreto que interferirá no cotidiano de todas as pessoas do planeta que utilizam e cada vez mais dependem da rede mundial de computadores. O protocolo de comunicação da Internet chamado IP (Internet Protocol) permite o endereçamento de dados entre todas as redes que a compõem. A versão deste protocolo que permitiu a expansão veloz da rede por todo o planeta é denominada de IPv4 e está sendo substituída por uma nova versão, o IPv6. Entre os vários motivos de criar uma nova versão estão as razões de segurança. O IPv6 permite que os cabeçalhos dos pacotes de dados sejam assinados digitalmente por chaves criptográficas. Estas chaves servem para identificar o autor das mensagens. Pois bem, se for definido que o padrão de comunicação entre redes será a identificação criptográfica de todos os pacotes, então a Internet terá suprimido o anonimato na comunicação. Suponha que boa parte ou a maioria dos cidadãos dos vaŕios países do mundo sejam contra o fim do anonimato na Internet. Como influenciarão esta decisão? A quem recorrer? Qual será o fórum de decisão? Ou continuaremos a acreditar que estas decisões são meramente técnicas?

Guarinello coloca-nos um ponto extremamente relevante: “Há, certamente, na história, comunidades sem cidadania, mas só há cidadania efetiva no seio de uma comunidade concreta, que pode ser definida de diferentes maneiras, mas que é sempre um espaço privilegiado para a ação coletiva e para a construção de projetos para o futuro.”(p.46) O problema é que a Internet por ser transnacional não se enquadra facilmente no terreno onde a cidadania tem conseguido avanços, ou seja, nos espaços nacionais.

Entretanto, Liszt Vieira aponta que “recentes concepções mais democráticas pretendem dissociar completamente a cidadania da nacionalidade. (…) Por esta concepção, seria possível pertencer a uma comunidade política e ter participação independente da questão de nacionalidade.”(p.32) Mark Poster avança e questiona: “podem os novos meios de comunicação promover a construção de novas formas políticas não amarradas a poderes territoriais e históricos? Quais são as características dos novos meios de comunicação que promovem novas relações políticas e novos sujeitos políticos?”(p.328)

Talvez uma boa linha de investigação tenha sido lançada por Benedict Anderson quando afirmou que a nação é uma comunidade imaginada. Os meios de comunicação foram fundamentais para a constituição da idéia moderna de nação. A partir dessa perspectiva, Gustavo Lins Ribeiro defende que do mesmo modo que “Benedict Anderson mostrou, retrospectivamente, a importância do capitalismo literário para a criação de uma comunidade imaginada que evoluiria para tornar-se uma nação. Sugiro que o capitalismo eletrônico-informático é o ambiente necessário para o desenvolvimento de uma transnação.” (p.469)

A emergência de uma “comunidade transnacionalmente imaginada”, nos dizeres de Ribeiro, exige o aparecimento de lealdades superiores a dos Estados Nacionais, forjadas a partir do ciberespaço. Nesse contexto, Mark Poster vê a possibilidade de surgimento de uma espécie de cidadão planetário: “o net-cidadão pode ser a figura formativa num novo tipo de relação política, que partilha a lealdade à nação com a lealdade à Internet e aos espaços políticos planetários que ela inaugura.”(p.329)

Comunicação, Tecnologia e o Mito da Neutralidade.

O problema da cidadania, em um cenário de globalização e transnacionalidade, coloca-nos diante da necessidade de enfrentarmos a discussão do papel das comunicações e das tecnologias da informação nos processos de mudança e permanência das relações sociais. Dominique Wolton escreveu:

“Se uma tecnologia da comunicação desempenha o papel essencial, é porque simboliza ou catalisa, uma ruptura radical da ordem cultural ocorrendo simultaneamente na sociedade. Não foi a imprensa que, por si, transformou a Europa, mas sim a ligação entre esta e o profundo movimento que subverteu o poder da Igreja Católica.” (WOLTON, 2003, p.32)

Para Wolton, as tecnologias de informação e os meios de comunicação não criam revoluções, ao contrário, são utilizados pelos processos revolucionários ou mudancistas. Sem dúvida, não foi a revolução industrial que criou o capitalismo, mas sem dúvida alguma, o domínio da tecnologia da máquina assegurou a primazia sobre o processo de apropriação da riqueza produzida e, este domínio econômico, gerou mais poder sobre a sociedade. Os capitalistas não poderiam impor suas relações de produção se não incorporassem a forma mais produtiva e avançada de geração de bens materiais.

Wolton vê nas promessas em torno das tecnologias da informação as mesmas ilusões que geraram prognósticos otimistas para os impactos da TV, do Rádio, do satélite, do cabo, no convívio humano. O teórico francês não percebeu que a TV e todas as formas do paradigma de difusão não têm nenhuma relação com as tecnologias da informação. Estas são mais do que formas de comunicação intensa e múltipla, são também tecnologias da inteligência (LÉVY) que ampliam as possibilidades de transformar informações em conhecimento. São tecnologias que reivindicam um comportamento interativo e se baseiam na proliferação da cópia. Permitem fundir sons a imagens e estas a textos, sendo multidirecionais e capazes de armazenar bilhões de dígitos na mesma máquina receptora e transmissora de mensagens.

Ao afirmar que “a técnica não é suficiente para mudar a comunicação na sociedade”, Wolton pode estar desconsiderando dois importantes elementos: um histórico e outro teórico. Primeiro, a tecnologia da informação nasceu no âmbito do cálculo e do processamento de dados. Somente depois que o computador tornou-se uma ferramenta de comunicação. De um projeto militar no cenário da Guerra Fria, o paradigma da computação em rede surgiu e foi reconfigurado inúmeras vezes por cientistas, hackers e pensadores da contracultura californiana (CASTELLS). Assim surgiu a Internet real, tal como a conhecemos hoje. É inegável que sua expansão está mudando a face das comunicações no planeta. E a comunicação em rede é completamente distinta do broadcasting.

Segundo, talvez a insistência de Wolton em afirmar que a tecnologia não muda a sociedade guarde a concepção de que as tecnologias são socialmente neutras. Técnicas quando inventadas sempre guardam decisões de quem as criou. Muitas delas podem ser reconfiguradas, outras têm o uso ambíguo, como a Internet, mas nunca são criadas sem objetivos, de modo neutro. É exatamente esta a questão que aqui discuto. Decisões sobre a arquitetura das redes e seus protocolos estão sendo tomadas por engenheiros, mas têm grande impacto social e podem limitar ou ampliar a liberdade da comunicação entre as pessoas. São decisões de grande impacto público, portanto, adquirem relevância política, mesmo que tenham sido tomadas por comitês técnicos.

Considerar que determinadas tecnologias guardam potenciais revolucionários, não significa também assumir a proposta de McLuhan. Mattelart criticou a supremacia que McLuhan dava ao meio. Sem dúvida, o meio condiciona, mas dificilmente poderá determinar os conteúdos. São visíveis os exageros de McLuhan quando advogou que “o grande abalo que rompeu o corpo da comunicação e a desmembrou teve lugar na Idade Média. Se a Igreja perdeu posição nessa época, se ela aí perdeu sua unidade mística, foi por causa da tecnologia.”(MATTELART, p.103) Por outro lado, é necessário reconhecer que a invenção de Gutenberg viabilizava a proposta de doutrinadores da Reforma que queriam romper com os intermediários entre o homem e Deus, entre a portador da fé e os escritos sagrados. A impressão de tipos móveis “baniu o estilo de vida comum em favor de uma comunidade massiva onde cada indivíduo pode se tornar um leitor e onde a leitura se torna uma experiência privada.” (idem, p.103)

Em outro texto mais recente, Wolton parece reconhecer a magnitude e a complexidade da comunicação em rede e aponta um problema que indica a necessidade da deliberação pública sobre os caminhos da comunicação mediada por computador, principalmente, a Internet: “É no que o tema da sociedade da informação é perverso: ele homogeneiza tudo e faz desaparecer o homem por de trás dos fluxos de informação. Numa economia do signo, tudo é possível. Cabe então ao homem inventar seus próprios limites.”(WOLTON, 2004, p.155)

Conclusão: Concentração de Poder e Cultura Hacker

Carlos Afonso, um dos pioneiros da Internet no Brasil, ao comentar o debate sobre a governança da Internet na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, ocorrida em duas fases, Genebra, em 2003, e Túnis, em 2005, afirmou:

“Os equívocos de alguns participantes do debate global vão desde acreditar que o tráfego de conteúdo passa pelo sistema de servidores-raiz até pensar que as funções de governança da Internet como um todo deveriam estar sob a alçada da UIT (União Internacional das Telecomunicações). A ICANN também costuma ser apresentada como uma organização global, o que é verdade apenas numa pequena parte e, em termos legais, não o é de forma alguma. A ICANN está sujeita às leis federais dos Estados Unidos e às leis do estado da Califórnia, e o seu poder de governança da Internet está limitado por vários contratos e por um Memorando de Entendimento (ou MoU, na sigla em inglês) envolvendo o governo dos EUA, a ICANN e a principal operadora do sistema global de nomes de domínio, uma empresa privada chamada Verisign.” (AFONSO, p.11)

O que mais chama a atenção na crítica de Carlos Afonso não é a ignorância de alguns participantes, mas o grande poder do governo norte-americano sobre um dos órgãos técnicos que definem regras da comunicação em rede. Por outro lado, este poder não está apenas no contexto da governança da Internet, pois uma sociedade em rede ou informacional exige um conjunto de intermediários e de decisões técnicas de enorme impacto sócio-planetário.

A concentração de poder comunicacional na sociedade da informação poderá ser muito maior do que a ocorrida com a mídia de massas na sociedade industrial. No ano de 2002, mais de 90% dos computadores pessoais do mundo utilizavam o sistema operacional de uma única empresa norte-americana, a Microsoft. O sistema operacional é o principal programa de uma máquina de processar informações. Ele define como a máquina deve agir, como deve alocar a memória, que tipos de programas podem ou não podem ser instalados nela, entre outras funções. “Por dominar a linguagem básica dos computadores, esta empresa também passou a dominar o mercado de navegadores web (browser), uma vez que passou a vender o browser junto com seu sistema operacional, desbancando todos os outros existentes.”(SILVEIRA, p.157)

Mark Poster alerta-nos que a saída para a democratização da sociedade informacional está na construção de novas estruturas políticas fora do Estado-nação em colaboração com as máquinas.”(p. 322) Ou seja, é na formação de um movimento de opinião pública planetário, transnacional, no ciberespaço com consequências em todos os territórios, pois para Poster não há como criar processos decisórios mundiais. Poster acredita que “a nova ‘comunidade’ não será uma réplica de uma ágora, mas será mediada por máquinas de informação. Portanto, o exigido é uma doutrina dos direitos da interface homem/máquina.”(p.322)

Para construirmos a idéia de novos direitos de caráter planetário, será fundamental observarmos a cultura hacker que esteve presente desde o nascimento e em toda a expansão da comunicação baseada nas redes informacionais. A Internet evoluiu aberta, vencendo tentativas de apropriação privada de seus elementos principais, exatamente pela forte influência dos hackers em seus processos vitais. A cultura hacker também está escrevendo uma das mais contundentes críticas a opacidade dos códigos e ao bloqueio do fluxo de conhecimento tecnológico na sociedade da informação. Dela nasceram movimentos como software livre e fenômenos como a maior enciclopédia do mundo, a wikipedia.

Ao estudar a cultura hacker, o filósofo finlandês Pekka Himanen escreveu:

“A ética de trabalho dos hackers consiste em combinar paixão com liberdade, e foi essa a parte da ética dos hackers cuja influência foi sentida com maior intensidade.” (…) “um terceiro e crucial aspecto da ética dos hackers é a atitude dos hackers em relação às redes, ou seja, é a sua ética da rede, que é definida pelos valores da atividade e do cuidar. Atividade, nesse contexto, envolve a completa liberdade de expressão em ação, privacidade para proteger a criação de um estilo de vida individual, e desprezo pela passividade frente à procura pela paixão individual. Cuidar significa aqui a preocupação com o próximo como um fim em si mesmo e um desejo de libertar a sociedade virtual da mentalidade da sobrevivência que tão facilmente resulta de sua lógica.” (p.126)

Os hackers do movimento de software livre estão enfrentando as companhias que buscam monopolizar no planeta o controle dos intermediários da comunicação (softwares, códigos e protocolos da comunicação em rede). Estas companhias alegam que seus direitos de propriedade estão acima de todos os demais direitos, inclusive da liberdade de conhecer, do uso justo de uma obra protegida pelo copyright, do direito à privacidade, à segurança e ao anonimato. Enfim, estamos em uma novo terreno. Dele emanam a reivindicação de novos direitos, direitos de comunicação, de liberdade de expressão e da possibilidade democrática de tomar decisões em uma sociedade em rede, virtual ou ciberespacial. O debate mal começou.

Sérgio Amadeu da Silveira é doutor em ciência política e professor de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero.

Bibliografia

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Sites:

Electronic Frontier Foundation: http://www.eff.org
Eletronic Privacy Information Center: http://www.epic.org
Free Software Foundation: http://www.fsf.org
Global Internet Liberty Campaign: http://www.gilc.org
SAFERNET: http://www.safernet.org.br

Este texto foi apresentado originalmente no congresso da Intercom, em setembro de 2006.

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Perigos e ameacas na Internet

Posted by dalberto em 2 dezembro, 2006

Algumas dos “micos” da Internet publicados na PC World e reproduzidos no IDGNow nos fazem pensar sobre alguns dos serios problemas e questoes eticas no mundo atual.

Ai vao alguns deles:

2 – Quanto mais da America Online, melhor
Quando a AOL publicou os registros de busca de 658,000 assinantes (os nomes foram substituídos por um número), a empresa sequer podia voltar atrás com a desculpa de que “foi um acidente”. A liberação foi intencional, pois fazia parte de um projeto de pesquisa mal conduzido para dar o conjunto de dados a acadêmicos analisarem o que as pessoas estavam procurando online. O que havia era o de sempre: Britney Spears, passagens de avião baratas e muita pornografia. A AOL removeu os dados, mas só depois que ele foram copiados, buscados e reportados. Os pedidos de desculpas da empresa entraram por um ouvido e saíram pelo outro: a AOL está atualmente sendo processada sobre a questão.

10 – Você está demitido!
O que é preciso para demitir 2500 funcionários? Aconselhamento jurídico? Programa de demissão voluntária? Pilhas e pilhas de documentos? Nada disso. Em 2003, o British Amulet Group mandou embora 2500 empregados enviando uma simples mensagem de texto SMS para os celulares dos funcionários. Pelo menos havia uma desculpa: a empresa acabava de entrar na bancarrota.

8 – Não morri, ainda…
É prática comum de alguns veículos de comunicação preparar obituários com antecedência para aquelas figuras importantes que podem bater as botas a qualquer momento. Mas em 2001 alguém na rede descobriu que os obituários da CNN para famosos quase-mas-ainda-não-mortos estavam publicamente acessíveis. Figuras como Fidel Castro, Dick Cheney e Nelson Mandela tiveram seus óbitos amplamente disseminados antes que a CNN.com, desgostosamente, os tirassem do ar.
6 – O cara errado
Cara ErradoFoi um erro honesto. A BBC havia agendado uma entrevista ao vivo com Guy Kewney, um especialista em tecnologia na disputa “Apple Computer vs. Apple Corps dos Beatles”. Mas alguém se confundiu e colocou um certo Guy Goma no estúdio. O seu olhar assustado na hora em que a repórter perguntava alguma coisa a ele era algo que não era possível de fingir. Goma, originalmente designado para taxista, de fato foi ao estúdio para uma entrevista, só que de emprego. Mais tarde ele afirmou que pensava que tudo fazia parte da metodologia da entrevista. Desde então a BBC tem pedido aos sites de vídeo online para remover esse vergonhoso episódio.

1 – Uma grande maneira de motivar a equipe
BallmerSteve Ballmer, CEO da Microsoft, fará de tudo para manter os empregados da Microsoft motivados e entretidos, nem que seja a seu próprio custo. Deve ter sido esse espírito que fez com que Ballmer subisse ao palco durante um evento da empresa em 2001 para tocar “Get on Your Feet” da Gloria Estefan, fazendo o que seria dublado depois como “The Monkey Boy Dance” (a dança do macaco). Ballmer dançou enquanto gritava “Woooo! Get up!! Come on!!”. Poucos dias depois, Ballmer, sem mostrar nenhum arrependimento, conduziria uma platéia a cantar o video remix “Developers!” de suas duas performances.

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O Silencia que Fala

Posted by dalberto em 1 dezembro, 2006

 

Ums experiencia fantastica no uso social da Net pode ser visto no projeto/website Silence Speaks, que utiliza digital storytelling como um meio para dar voz a pessoas que foreram violencias de diferentes tipos, envolvendo questoes de genero, sexualidade, racismo ou discriminação cultural.

Encontra-se um website bonito, inovador e excelentes historias e recursos bem empregados por organizacoes que lutam por mais justica, cidadania e qualidade de vida. O resultado ? Boas historias, recursos e inspiracao para utilizarmos a memoria e as historias a favor da mudanca social, como ja faz o Museu da Pessoa no Brasil.

 
         
 

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O Custo da vigilância é o fim da liberdade….

Posted by dalberto em 6 novembro, 2006

Enquanto em Atenas é realizado o Forum de Governanca da Internet, que reúne milhares de pessoas de diferentes países e campos para discutir os principais temas relacionados à Governança da Internet, por aqui vemos um projeto de lei que estabelece as condições para a vigilância total da Internet ser apresentado à Camara, sem que haja qualquer reflexão ou debate com especialistas, autoridades ou organizações da sociedade civil.

O artigo abaixo, publicado na Folha de São Paulo hoje, aborda o tema. Esta legislação é uma ameaça à liberdade de acesso à informação e à livre comunicação, até hoje possível na Internet. O preço da vigilância é o fim da liberdade.

Mais sobre o tema nos posts A Liberdade na Internet em Risco e Neutralidade da Internet

São Paulo, segunda-feira, 06 de novembro de 2006

Projeto quer controlar acesso à internet

Comissão no Senado analisa lei que obriga a identificação do usuário antes de operações de interatividade, como envio de e-mail

Bancos defendem projeto como forma de inibir crime cibernético; para especialista e provedores, proposta burocratiza uso da rede

ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado votará, na próxima quarta-feira, um projeto de lei que obriga a identificação dos usuários da internet antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de e-mails, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros.
O acesso sem identificação prévia seria punido com reclusão de dois a quatro anos. Os provedores ficariam responsáveis pela veracidade dos dados cadastrais dos usuários e seriam sujeitos à mesma pena (reclusão de dois a quatro anos) se permitissem o acesso de usuários não-cadastrados. O texto é defendido pelos bancos e criticado por ONGs (Organizações Não-Governamentais), por provedores de acesso à internet e por advogados.
Os usuários teriam de fornecer nome, endereço, número de telefone, da carteira de identidade e do CPF às companhias provedoras de acesso à internet, às quais caberia a tarefa de confirmar a veracidade das informações.
O acesso só seria liberado após o provedor confirmar a identidade do usuário. Para isso, precisaria de cópias dos documentos dos internautas.

Críticas
Os provedores de acesso à internet argumentam que o projeto vai burocratizar o uso da rede e que já é possível identificar os autores de cibercrimes, a partir do registro do IP (protocolo internet) utilizado pelos usuários quando fazem uma conexão. O número IP é uma espécie de digital deixada pelos internautas. A partir dele, chega-se ao computador e, por conseguinte, pode-se chegar a um criminoso.
Maiores alvos do cibercrime, os bancos e os administradores de cartões de crédito querem a identificação prévia dos internautas. O diretor de Cartões e Negócios Eletrônicos da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Jair Scalco, diz que não adianta criar leis para punir as fraudes na internet se não houver a identificação obrigatória de todos os internautas. Ele defende que os registros de todas as conexões sejam preservados por pelo menos três anos.
O projeto recebeu muitas críticas. “É uma tentativa extrema de resolver a criminalidade cibernética, que não surtirá efeito. O criminoso vai se conectar por meio de provedores no exterior, que não se submetem à legislação brasileira, ou usará laranjas [terceiros] e identidade falsa no Brasil”, afirma o presidente da ONG Safernet (Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos), Thiago Tavares. A entidade é dirigida por professores da Universidade Federal da Bahia e da PUC daquele Estado.
Para Tavares, o projeto, se aprovado, irá burocratizar e restringir o acesso das pessoas à internet.
“Não se pode acabar com a rede, em nome da segurança, porque ela nasceu com a perspectiva de ser livre e trouxe conquistas muito grandes, como a liberdade de informação e de conexão”, afirma.
Para ele, os provedores tenderão a dificultar o acesso das pessoas à rede mundial de computadores, com medo de serem responsabilizados criminalmente por atos dos usuários.

Lobby
O relator do projeto é o senador Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas Gerais. Os especialistas do setor dizem que o mentor das mudanças é o assessor de Azeredo José Henrique Portugal, ex-dirigente do Serpro, estatal federal de processamento de dados.
O presidente da ONG Safernet diz que, por trás da identificação e da certificação prévias dos usuários da internet, está o lobby das empresas de certificação digital, espécie de cartórios virtuais, que atestam a veracidade de informações veiculadas pela internet.
De acordo com ele, o projeto está na contramão da democratização do acesso à internet, ou inclusão digital, pretendida pelo governo.

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Conexão WiMax – Interesses em jogo

Posted by dalberto em 6 setembro, 2006

Esta foi uma semana controversa em importante questão que afeta as possibilidades de superar a inclusão digital no Brasil. No início da semana mais de 100 empresas apresentaram-se para participar do leilão da conxão sem fio pelo padrão WiMax. Entre as empresas que se inscreveram no leilão estâo as companias de telefonia fixa, que já fetem concessão para oferecer conectividade pelo telefone. Através da nova tecnologia é possível, com uma antena, prover acesso a usuários que estejam em um raio de até 50 Kilometros, superando grande parte dos desafios de conectividades que perpetuam a exclusão digital no País.

O tema é abordado por Carlos Afonso no artigo a seguir, publicado no UOL Tecnologia em 6/09/06.

Argumento de teles sobre WiMax é “contra-senso”, diz especialista

Da Redação
Em São Paulo

Os pequenos empreendedores que participam do leilão de WiMax, a Internet rápida sem fio, têm muito mais capacidade de democratizar o acesso à rede e a outros serviços de telecomunicações que as grandes empresas do mercado de telefonia.

“Não consigo entender que três grandes monopólios deste país falem que precisa haver competição e ao mesmo tempo que precisam participar do leilão [de WiMax]. É um contra-senso”, diz Carlos Afonso, diretor de Planejamento da Rits (Rede de Informações para o Terceiro Setor) e representante da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil. Para ele, a participação das teles fixas no leilão de WiMax é um “desastre” e vai contra a inclusão digital.

Afonso cita como exemplo a oferta de banda larga em países europeus, como a França. Por lá, o processo de “unbundling” -possibilidade de que várias empresas possam prestar serviços pelo mesmo cabo de telefonia local- fez com que, por um mesmo cabo, diversas empresas oferecessem o serviço de ADSL (Assymmetric Digital Subscriber Line).

Essa política, segundo ele, ajudou a popularizar o acesso à banda larga em território francês e também baixou o custo das conexões. Ao contrário do que acontece no Brasil, que, diz Afonso, passou por “experiências tristes” no âmbito das telecomunicações. “Exatamente 2.451 municípios brasileiros não têm torres locais de telefonia celular. Eles têm que usar sinal de torres de cidades vizinhas simplesmente porque não dão lucro”, diz. O que não aconteceu com a telefonia fixa por causa da universalização.

Para Afonso, sem uma política pública de inclusão digital para o WiMax, milhares de cidades brasileiras podem ser condenadas à “desconexão eterna”. Uma alternativa, segundo ele, seria a reserva de espectro para projetos de inclusão digital de redes comunitárias nos municípios e nas zonas rurais.

Outro lado
A Abrafix (Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado) refuta a acusação de monopólio. “A regulamentação brasileira oferece medidas de incentivo ao estabelecimento e manutenção da competição na prestação dos serviços de telecomunicações. Hoje, qualquer empresa pode investir e competir com as telefônicas existentes, tanto que dezenas de operadoras já oferecem serviços telefônicos variados”, disse a assessoria da Abrafix.

Segundo a entidade, a concorrência não é maior porque, no cenário atual, o baixo retorno financeiro torna pouco interessante o investimento em mais de 95% do território nacional. A culpada: a mesma universalização, que, segundo Afonso, teria ajudado a difundir a telefonia fixa pelo país.

Quanto à participação no leilão de WiMax, a Abrafix considera que a restrição às teles poderia resultar na outorga de freqüências a empresas incapazes de fazer uso efetivo da tecnologia, como ocorreu no último leilão. “As limitações previstas no edital já são suficientes para impedir a concentração econômica”, diz a entidade.

Em comunicado publicado nesta terça-feira (05) em jornais de grande circulação, a Abrafix disse considerar “reserva de mercado” o impedimento imposto às teles fixas de participarem do leilão de freqüências nas faixas de 3,5 GHz e 10,5 GHz nas áreas onde atuam como concessionárias.

O leilão das cerca de 20 faixas de freqüência para a Internet rápida sem fio WiMax foi suspenso nesta segunda-feira (04) após assinatura de medida cautelar pelo ministro Ubiratan Aguiar, do TCU (Tribunal de Contas da União). O plenário do órgão aprovou ontem (05), por unanimidade, manter a suspensão.

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