A Rede

Um blog sobre as redes da vida e a vida das redes, por Dalberto Adulis

Conexão WiMax – Interesses em jogo

Posted by dalberto em 6 setembro, 2006

Esta foi uma semana controversa em importante questão que afeta as possibilidades de superar a inclusão digital no Brasil. No início da semana mais de 100 empresas apresentaram-se para participar do leilão da conxão sem fio pelo padrão WiMax. Entre as empresas que se inscreveram no leilão estâo as companias de telefonia fixa, que já fetem concessão para oferecer conectividade pelo telefone. Através da nova tecnologia é possível, com uma antena, prover acesso a usuários que estejam em um raio de até 50 Kilometros, superando grande parte dos desafios de conectividades que perpetuam a exclusão digital no País.

O tema é abordado por Carlos Afonso no artigo a seguir, publicado no UOL Tecnologia em 6/09/06.

Argumento de teles sobre WiMax é “contra-senso”, diz especialista

Da Redação
Em São Paulo

Os pequenos empreendedores que participam do leilão de WiMax, a Internet rápida sem fio, têm muito mais capacidade de democratizar o acesso à rede e a outros serviços de telecomunicações que as grandes empresas do mercado de telefonia.

“Não consigo entender que três grandes monopólios deste país falem que precisa haver competição e ao mesmo tempo que precisam participar do leilão [de WiMax]. É um contra-senso”, diz Carlos Afonso, diretor de Planejamento da Rits (Rede de Informações para o Terceiro Setor) e representante da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil. Para ele, a participação das teles fixas no leilão de WiMax é um “desastre” e vai contra a inclusão digital.

Afonso cita como exemplo a oferta de banda larga em países europeus, como a França. Por lá, o processo de “unbundling” -possibilidade de que várias empresas possam prestar serviços pelo mesmo cabo de telefonia local- fez com que, por um mesmo cabo, diversas empresas oferecessem o serviço de ADSL (Assymmetric Digital Subscriber Line).

Essa política, segundo ele, ajudou a popularizar o acesso à banda larga em território francês e também baixou o custo das conexões. Ao contrário do que acontece no Brasil, que, diz Afonso, passou por “experiências tristes” no âmbito das telecomunicações. “Exatamente 2.451 municípios brasileiros não têm torres locais de telefonia celular. Eles têm que usar sinal de torres de cidades vizinhas simplesmente porque não dão lucro”, diz. O que não aconteceu com a telefonia fixa por causa da universalização.

Para Afonso, sem uma política pública de inclusão digital para o WiMax, milhares de cidades brasileiras podem ser condenadas à “desconexão eterna”. Uma alternativa, segundo ele, seria a reserva de espectro para projetos de inclusão digital de redes comunitárias nos municípios e nas zonas rurais.

Outro lado
A Abrafix (Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado) refuta a acusação de monopólio. “A regulamentação brasileira oferece medidas de incentivo ao estabelecimento e manutenção da competição na prestação dos serviços de telecomunicações. Hoje, qualquer empresa pode investir e competir com as telefônicas existentes, tanto que dezenas de operadoras já oferecem serviços telefônicos variados”, disse a assessoria da Abrafix.

Segundo a entidade, a concorrência não é maior porque, no cenário atual, o baixo retorno financeiro torna pouco interessante o investimento em mais de 95% do território nacional. A culpada: a mesma universalização, que, segundo Afonso, teria ajudado a difundir a telefonia fixa pelo país.

Quanto à participação no leilão de WiMax, a Abrafix considera que a restrição às teles poderia resultar na outorga de freqüências a empresas incapazes de fazer uso efetivo da tecnologia, como ocorreu no último leilão. “As limitações previstas no edital já são suficientes para impedir a concentração econômica”, diz a entidade.

Em comunicado publicado nesta terça-feira (05) em jornais de grande circulação, a Abrafix disse considerar “reserva de mercado” o impedimento imposto às teles fixas de participarem do leilão de freqüências nas faixas de 3,5 GHz e 10,5 GHz nas áreas onde atuam como concessionárias.

O leilão das cerca de 20 faixas de freqüência para a Internet rápida sem fio WiMax foi suspenso nesta segunda-feira (04) após assinatura de medida cautelar pelo ministro Ubiratan Aguiar, do TCU (Tribunal de Contas da União). O plenário do órgão aprovou ontem (05), por unanimidade, manter a suspensão.

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2 Respostas to “Conexão WiMax – Interesses em jogo”

  1. docontra said

    Veja a lei de telecomunicações, comunicações impressas e televisivas da França. É revolucionária e, de fato, garante um mínimo de equilíbrio entre os diversos lados socio-políticos. No Brasil, por medo de uma volta à censura, jornalistas e “especialistas” de todos os lados correm por defender que não haja lei regulamentadora, que não haja conselhos de monitoramento da atividade midiática e, mais, defendem o monopólio, pois a democracia dos meios de informação, comunicação e colaboração poderia exigir a existência de tais leis regulamentadoras. Nada mais atrasado que os sindicatos e associações de jornalistas e “midas”.

  2. Washington Ferraz said

    Os grandes monopólios das teles no Brasil querem cada vez mais sufocar o nosso povo.Moro numa cidade de menos de 4.000 habitantes,onde o seu cometário caiu como uma luva pois como aqui é uma cidade que não dá lucro para os grandes, não temos uma torre de celular,imagine quando este novo sistema estiver funcionando se cair nas mãos dos detentores deste monopólio?
    O que sinto que estaremos fora da tal sonhada inclusão digital. O governo que pensa na prosperidade de um país não deveria medir esforços, pois os custos segundo pesquisas feita pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações o desembolso seria em torno de R$ 350 milhões para cobrir com 2.511 torres de transmissão do WiMax todo o território nacional.
    No meu entender, acho uma valor muito pequeno se dividirmos a conta para todos os municípios do Brasil, fazendo com que cada um pague sua rede descontando dos fundos enviados pelo governo federal, de acordo com os habitantes.Depois de instalado em todo o território os custos com manutenção deveria também seguir os critérios do modelo de implantação.
    Acho que assim ,faríamos justiça em favor daqueles que um dia sonharam em fazer parte do mundo dos internautas.
    Como pode perceber no meu E-mail por aqui só conseguimos alguma coisa através de provedores de graça,pos ninguém quer investir por aqui.
    Abraços,Washington….

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