A Rede

Um blog sobre as redes da vida e a vida das redes, por Dalberto Adulis

Vozes globais e blogs na guerra

Posted by dalberto em 9 agosto, 2006

Os blogs, que ganharam destaque como meios de comunicacao alternativos e independentes durante a invasao do Iraque, tem sido utilizados tambem na guerra do Libano. A materia de Marcos Muller, logo abaixo, apresenta links para blogs de ativistas que utilizam o poder dos blogs para disseminar suas opinioes e promover debates que, ate entao, nao teriam como ocorrer.Vale a pena visitar alguns dos liks, como Ur Shalim.

Muitos blogs desta natureza ganham visibilidade atraves de sistemas como Global Voices, que funciona como um portal para blogs e podcats de todo o mundo, agrupados por paises ou temas. O Global Voices nasceu como um projeto de media sem fins lucrativos patrocinado e lancado pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade, de Harvard. O Global Voices funciona com um grupo de editores que buscam, encontram e agregam informacoes e conversas postadas em um grande numero de blogs em ingles.

Noticias sobre o Brasil, por exemplo, podem ser vistas em http://www.globalvoicesonline.org/-/world/americas/brazil/

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Crise no Líbano, via blogs

Marcos Müller/ArtEstado
“A blogosfera libanesa não é particularmente ativa como a israelense ou mesmo que a iraniana, mas há assunto para se fartar”

Pedro Doria*

Acusa-se a imprensa de muita coisa. De tender a ser pró-Israel, por exemplo. E é verdade – ao menos, no sentido de que quase toda a imprensa ocidental é a favor da existência do Estado de Israel. E também do Palestino. Mas essa visão um quê paranóica do comportamento da imprensa quando acontece uma crise séria, como essa entre Líbano e Israel, tem lá seus fundamentos.

O motivo mais básico não tem nada a ver com preferências pessoais ou sionismos tardios: é que há um problema de língua. É muito difícil encontrar um bom jornal de país árabe em inglês. Já em Israel, via internet, há pelo menos três. O grande jornalão do país, Yedioth Ahronoth; o Jerusalem Post e o bom Ha’aretz, que tem uma tendência à esquerda. Os três são jornais com edições completas todos os dias e abertos ao mundo. Por outro lado, a imprensa árabe em inglês ou é pesadamente ideológica ou ruim ou por demais resumida.

Então muito do que vai parar nas páginas dos principais jornais, fora uma coisa ou outra produzida por seus correspondentes, é material colhido de agências e desses dois ou três jornais.

Como muitos correspondentes, mesmo lá, acabam recorrendo a essa mesma imprensa em inglês por não dominarem hebraico ou árabe; como muitas das agências produzem material também colhido destes jornais, há sim um certo desequilíbrio entre o ponto de vista israelense e o árabe.

Há alguns dias, o New York Times divulgou que o aiatolá Ali al-Sistani, principal líder xiita do Iraque, ainda não havia comentado nada sobre o conflito. “Não é incrível que eles publiquem isso mais de três dias após Sistani ter condenado publicamente Israel?”, se pergunta As’ad, do blog angryarab.blogspot.com.

Sistani usou o truque celebrizado pelo falecido líder palestino Yasser Arafat. Diga à imprensa internacional, falando francês ou inglês, o que você quer que seja ouvido no exterior; e diga em árabe o que você quer que seu povo ouça. É macete demagógico, mas por ali funciona sempre.

Há um antídoto, evidentemente: blogs. A blogosfera libanesa não é particularmente ativa como a israelense ou mesmo que a iraniana, mas há assunto para se fartar. É sempre bom lembrar que, quase sempre, a diferença entre um blog e um jornal é muito grande. Um jornal na tradição ocidental se pretende isento – ou, ao menos, costuma se esforçar neste sentido. Blogs – e há exceções – tratam de opiniões pessoais.

Isso, no entanto, é particularmente valioso. É a voz das ruas, o tipo de coisa que político experiente está sempre ouvindo. Presta atenção no que o povo diz, molda seu discurso a partir daí.

Gente por todo o Líbano está levando bomba na cabeça. Israel tem justificativa legal – seu país foi invadido por um partido da coalizão de governo, soldados foram seqüestrados. Mas a questão pragmática é: isso faz com que os libaneses tenham raiva do Hezbollah ou que se ponha ao seu lado?

“Por que deveríamos confiar nos israelenses e não apoiar o Hezbollah?” se pergunta o blogueiro anônimo de meastpolitics.wordpress.com. “Como alguém pode esperar que confiemos num país que bombardeou nossa gente, destruiu nossa nação, tudo sob o pretexto de desarmar o Hezbollah?”

Não é preciso concordar com seu ponto de vista. Mas tome-se beirutlemons.com, urshalim.blogspot.com – pegue um blogueiro libanês e, bem, mesmo os mais razoáveis já começam a simpatizar com o Hezbolá. Blogs não são, ao menos ainda, a melhor forma de nos informarmos sobre algo que acontece no mundo. No entanto, vale a pena tirar por alguns minutos os olhos da tevê ou das páginas de jornais e revistas para fuçar o que diz a gente que escreve na rede e mora no Líbano.

É a melhor forma que há de conhecer outro ponto de vista. Mesmo que seja para discordar depois.

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