A Rede

Um blog sobre as redes da vida e a vida das redes, por Dalberto Adulis

Arquivo da categoria ‘consumidor’

Disfunção Conéctil

Publicado por dalberto em 15 Maio, 2007

Nos corredores do aeroporto da Cidade do México me deparei um anúncio divertido, dirigido a pessoas com “disfunção conéctil”.

Parodiando anuncios de medicamentos para disfunção erétil a empresa sugere que a conexão de banda larga móvel (BAM – Banda Ancha Movil) oferecida pela empresa IUSACELL seria a cura, e recomenda a consulta a um especialista

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disfuncao

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Na rede, digga-me com quem andas que digg-rei quem és

Publicado por dalberto em 4 Maio, 2007

Em pleno dia do trabalho um grande movimento agitou a Internet, mobilizando milhares de pessoas em torno a temas como liberdade de expressão , censura e direitos autorais. Os acontecimentos ilustram muito bem fenômenos como os que Howard Rheingold denomina como “smart mobs”, as mobilizações inteligentes de massas difusas através do uso das novas TICs. No caso trta-se da mobilização da comunidade de usuários de um dos símbolos da chamada Web 2.0, o Digg.

O Digg é um ambiente virtual em que usuários (mais de 1 milhão!) atuam como editores, postando notícias e votando nos artigos publicados por outros usuários que considerem relevantes. O sistema de “reputação” possibilita que os artigos mais votados aparecam nas primeiras posições, até chegarem na “homepage” do site. Com o crescimento exponencial de usuários e leitores, ocupar um espaço na primeira página do Digg se tornou algo cobiçado. O sistrma permite o livre exercício da participação e para alguns daria vazão à “sabedoria das massas” através da Internet. Entre as ferramentas com o mesmo princípio no Brasil pode-se destacar o “Eu Curti” e o Overmundo.

A “smart mob” de 1 de maio ocorreu a partir do momento em que um usuário publicou um código que permite quebrar o sistema de criptografia dos HD-DVDs, destinado a impedir cópias piratas de DVDs com novas tecnologias. O código de 24 caracteres foi publicado em um artigo com o título “Espalhe este número. Agora”. Preocupadas com a proliferação do código as empresas detentoras da tecnologia HD-DVD ameaçaram processar os websites que divulgassem o código, entre eles o DIGG.

Preocupados com a ameaça a coordenação do Digg retirou a notícia do ar e quase instantanteamente uma reação em massa começou. Mais de 50 mil usuários postaram mensagens de desagravo, reclamando que a direção do Digg estava contrariando o princípio número 1 do sistema: permitir que o leitor decida o que deve ou não ter destaque no website.

Neste meio tempo um outro artigo, desta vez intitulado “Espalhe este número. De novo”, foi publicado, e a direção optou por tirá-lo do ar, assim como cancelar a conta do usuário que a publicou. A partir deste momento a revolta se espalhou e os usuários começaram a publicar o código e artigos contra o Digg no próprio website e em outros espaços, como como websites, blogs e vídeos.

Os dirigentes do Digg perceberam que se continuassem com a censura estariam “enterrando” a sua “galinha dos ovos de ouro” e decidiram enfrentar uma briga publicando, eles mesmos, os números do código. No final do dia Kevin Rose, fundador do Digg e até então cultuado como um dos “gurus da web 2.0″, declarou:

codigo

“Hoje foi um dia insano. Tivemos que tomar uma decisão, e, para evitar um cenário em que o Digg pudesse ser interrompido ou desativado, decidimos obedecer e remover todas as notas com o código.

Mas agora, depois de ver centenas de notas e milhares de comentários, vocês deixaram tudo claro. Vocês preferem cair lutando do que se curvar a uma companhia maior.

Nós ouvimos vocês, e não vamos mais apagar textos ou comentários com o código e vamos enfrentar as conseqüências. Se perdermos, que diabos, pelo menos vamos morrer tentando.”

 

O artigo de Rose apresentou o código de 32 caracteres no próprio tíulo “Digg This: 09-f9-11-02-9d-74-e3-5b-d8-41-56-c5-63-56-88-co “e já conta com mais de 35 mil votos.

 

Desde então já foram publicados inúmeros inúmeros artigos, cartazes, charges, músicas e videos com sobre o caso, alguns deles com muito bom humor (Ouça a Música e assista ao Vídeo Clip Digg the Code). Este caso ilustra como a Internet pode ser utilizada para mobilizar pessoas dispersas em torno de interesses comuns e pode nos inspirar a pensar em maneiras para utilizar “a rede” na construção de um mundo mais justo e sustentável!

 

jesus

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O Homem de Lixo

Publicado por dalberto em 26 Abril, 2007

A relacao entre meio ambiente e tecnologia foi destaque de acoes de organizacoes e militantes britanicos preocupados com a producao crescente de lixo eletronico. Conforme pode-se ver em materia publicada pelo IDGNow em 26 de abril de 2007, o problema assume proporcoes cada vez maiores. Mais informacoes sobre o tema no artigo “o lado sujo das tecnologias“.

lixo|Para ilustrar o tamanho do problema, os britânicos construíram um homem de lixo eletrônico de sete metros de altura, feito com toda a sucata digital gerada por um britânico médio em sua vida, estimada em 3,3 toneladas. O resultado é um boneco gigante, composto de eletrodomésticos, computadores, celulares, impressoras, videogames, entre outros cacarecos digitais.

Apesar do alerta, os britânicos acreditam que o homem de lixo pode ficar ainda maior nos próximos anos. Eles estimam que o uma pessoa nascida em 2003 que viva até 2080 vai gerar 8 toneladas de lixo eletrônico ao longo da sua vida, mais que dobrando o tamanho do homem de lata.

A União Européia é, contudo, uma das poucas organizações internacionais que avançou na questão do lixo eletrônico elaborando a Diretiva para Lixo Elétrico e Equipamentos Eletrônicos (Waste Electrical and Electronic Equipment Directive – WEEE), que se tornou lei em fevereiro de 2003. A lei determina metas de coleta e reciclagem aos fabricantes de eletrônicos.}

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Ameaças à Privacidade na Europa

Publicado por dalberto em 15 Fevereiro, 2007

Europa quer saber quem está online.

Artigo de Victoria Shannon, dm Paris. Publicado no Herald Tribune em 14/02/2007 com tradução de George El Khouri Andolfato para UOL Midia Global.

titulo = ”; if (subtitulo.length > 2) { document.write (‘‘+subtitulo+’
‘) }Os governos europeus estão preparando uma legislação para forçar as empresas a manterem dados detalhados sobre o uso da Internet e do telefone pelas pessoas, algo muito além do que os países serão obrigados a fazer, segundo uma diretriz da União Européia (UE).

Na Alemanha, uma proposta do Ministério da Justiça basicamente proibirá o uso de informação falsa para a criação de conta de e-mail, tornando ilegal a prática padrão na Internet de criação de contas com pseudônimos.

Uma lei esboçada na Holanda igualmente irá além do que exige a UE, neste caso obrigando as companhias telefônicas a guardarem os registros de exatamente onde alguém está durante toda uma conversa por telefone móvel.

Os provedores de Internet na Europa já divulgam de forma “rotineira” informações sobre os clientes – que eles normalmente mantêm à mão por cerca de três meses, para fins de cobrança – para policiais com ordens judiciais, disse um especialista em privacidade. Os dados detalham como a comunicação foi enviada e por quem, mas não divulga o seu conteúdo.

Mas as autoridades argumentaram na época dos atentados terroristas na Espanha e no Reino Unido, em 2004, que precisavam de um armazenamento maior, melhor e mais longo de dados por parte das empresas que cuidam das redes de comunicação da Europa. A Corte Nacional espanhola dará início nesta quinta-feira (15) ao julgamento dos 29 suspeitos dos atentados a bomba contra trens em Madri, em 11 de março de 2004, que mataram 191 pessoas e feriram mais de 1.800.

Os países da UE têm até 2009 para transformar a Diretriz de Retenção de Dados em lei, de forma que as propostas apresentadas até agora são interpretações iniciais. Mas algumas pessoas envolvidas na questão estão preocupadas com uma mudança no pêndulo da privacidade na Europa, que há muito era uma defensora dos direitos de privacidade dos indivíduos.

Segundo as propostas na Alemanha, os usuários teoricamente não poderiam criar contas de e-mail fictícias, por exemplo, para se disfarçarem em leilões online. Nem poderiam usar uma conta inventada para receber e-mail comercial indesejado. Apesar de não serem proibidos apelidos em e-mails, eles teriam que ser rastreáveis ao dono de fato da conta.

“Isto é uma coisa incrivelmente ruim em termos de privacidade, já que as pessoas cresceram com a idéia de que você pode ter uma conta anônima de e-mail”, disse Peter Fleischer, o consultor europeu de privacidade da Google, em Paris. “Além disso, será difícil aplicar e não funcionará.”

Fleischer, cuja empresa com sede na Califórnia oferece serviço gratuito de e-mail, disse que lei terá que exigir algum tipo de verificação de identidade, “como a necessidade de se registrar para obtenção de um endereço de e-mail usando sua carteira de identidade nacional”.

Jörg Hladjk, um advogado especializado em privacidade da Hunton & Williams, uma firma de advocacia de Bruxelas, disse que também poderá se tornar ilegal pagar em dinheiro por contas de celular pré-pagos. As informações de cobrança de assinaturas regulares de telefonia celular já são verificadas.

“É irônico”, disse Fleischer, “porque a Alemanha é um dos países na Europa onde as pessoas mais falam sobre privacidade. Em termos de conscientização de privacidade em geral, eu colocaria a Alemanha em um extremo”.

Fleischer disse que não está claro se alguma lei européia se aplicará aos provedores de e-mail com sede nos Estados Unidos, como a Google, de forma que qualquer um que necessite de um endereço de e-mail não verificado – por motivos políticos, comerciais ou filosóficos – ainda poderia usar os endereços do Gmail, Yahoo ou Hotmail. “Será difícil saber que lei se aplica”, disse Hladjk.

A Google só exige duas informações para abertura de uma conta no Gmail – nome e senha – e a empresa não tenta determinar se o nome é autêntico.

Na Holanda, a proposta de ampliação da lei para abranger todos os dados de localização dos aparelhos móveis “implica em vigilância de movimento de um grande número de cidadãos inocentes”, disse a Agência Holandesa de Proteção de Dados. A agência concluiu em janeiro que a lei desrespeita as proteções da privacidade da Convenção Européia de Direitos Humanos. De forma semelhante, a Bitkom, a associação setorial alemã de tecnologia, disse que a lei dali viola a Constituição alemã.

As associações do setor de telecomunicações e Internet fizeram objeções quando a diretriz estava sendo debatida, mas na época suas preocupações eram quanto ao prazo da necessidade de manutenção dos dados e como as empresas seriam compensadas pelo custo de reunir e guardar a informação. A diretriz acabou deixando ambas as decisões nas mãos dos governos nacionais, estabelecendo um prazo de seis meses a dois anos.

“Há muitas pessoas na Alemanha que apóiam totalmente este esboço”, disse Christian Spahr, um porta-voz de telecomunicações e lei da Bitkom. “Mas há outros que o criticam mais do que nós.”


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